
Como podemos achar normal bater numa criança? Vi um menino que subiu na mesa do restaurante e seu pai, como primeira medida, deu-lhe um tapa na boca que o wfez sangrar. Se víssemos um casal de namorados e o homem batesse na moça, certamente chamaríamos a polícia ou coisa parecida. Mas não consigo entender como as pessoas ignoram tal ato, como se fosse legítimo um pai/mãe bater em um filho.
Eu também não fiz nada e isso me fez morrer um pouco por dentro, por lembrar de mim mesma com essa idade e toda a violência doméstica que sofri. Fui desfraldada com palmadas, decorei a tabuada com chineladas, apanhei com a correia do cachorro, chorei de perder o fôlego, minhas pernas ficaram marcadas inúmeras vezes.
Sinceramente acredito que deveria existir nas escolas, desde cedo, a disciplina da não-violência. Fazer entender que reproduzimos modelos que devem ser combatidos. Somos responsáveis pela guerra do Iraque e as milhões de famílias perdidas. A violência que nos choca é reflexo das pequenas violências diárias que cometemos sem perceber: o tapa do filho, a agressão à atendente de telemarketing que ligou na hora indevida. São essas pequeneza acrescidas que fazem as pessoas matarem e morrerem por acharem legítimo impor seus pontos de vistas através da violência.
Como filha desta violência, fui tratar de entendê-la. Anos de terapia, cursos de não-violência, meditação, yoga me mostraram o caminho da paz. Não queria reproduzir um modelo falido do qual acredito ser a grande sombra do mundo. Tive que tratar minhas feridas, perdoar minha família e compreender que para mudar temos que fazer diferente.












