por: Kalu
- Quem fez seu parto?
- Eu, ué? Duas esfermeiras obstetras estavam presentes em minha casa apenas para amparar meu filho e assegurar que tudo estava bem.
Perdi as contas de quantas vezes repeti este diálogo e lidei com olhos e bocas descrentes. Em nossa sociedade parir é um ato médico. O tal doutor que escolhe a hora que o rebento vai chegar (conciliando com sua agenda), é senhor de todas as decisões que se referem ao nascimento. A muher se deita, totalmente anestesiada, algumas vezes amarrada e tem seu ventre cortado por várias camadas, até que o super-herói consiga chegar até a criança e retirá-la bruscamente.
E nas mãos, aquele que foi nascido chora desesperadamente, e muitas vezes necessita de oxigênio, incubadora, banho de luz, mostrando que ainda havia tempo para permanecer no ventre da Mãe amadurecendo suas entranhas.
Faz muitas décadas que perdemos o sagrado direito de parir e aos homens foi dado esta tarefa. Nas grandes capitais, nas classes média e alta principalmente, existe uma taxa de quase 90% de cesáreas. Será que poder aquisitivo retira a possibilidade de parir de maneira biológica?
A grande verdade é que o parto se tornou um grande negócio. Pré-natais cheios de exames invasivos e questionáveis, mil ultrassons, inclusive em 3D para ver a carinha do bebê. Guardar o líquido do cordão umbilical (que necessita que a empresa seja contada com dias de antecedência. Ou seja, apenas em uma cesárea eletiva é possível guardá-lo) e mil outros serviços que hospitais e maternidades oferecem.
Não é a toa que queiram fechar as chamadas "Casas de Parto", onde enfermeiras obstetras trabalham para dar assistência para as mulheres parirem. O que muitas vezes elas fazem é apenas criar um ambienbte tranquilo, orientam sobre a melhor posição e momento adequado de fazer força e ficam lá, em uma postura fantasticamente passiva, observando a força do feminino ao parir
Muitas destas casas de parto não tem médicos à disposição. Assim como quem escolhe por um parto domiciliar, as enfermeiras são capazes de detectar qualquer intercorrência com segurança e à tempo de transferirem a parturiente para submeter-se ao serviço médico em um hospital mais próximo. Em muitos países de primeiro mundo isso funciona muito bem, com baixas taxas de mortalidade materna e neonatal, ao contrário da situação que o Brasil se encontra com as altas taxas de cesarianas, necessidade de internação de mãe e bebê.
Esta decisão de fechar estas casas de parto é mais uma prova que temos muito a fazer, a conscientizar em relação ao nascer e ao viver.
E para você parto é um ato feminino ou médico?
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