segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O mundo de Teresa


(e de Sofia, de Clara, de Ana, de Maria, de João...)


por: Pauleca (Mamífera convidada)


Conviver com criança é um constante exercício de ouvir, receber e respeitar o mundo do outro. Às vezes sinto que as crianças vivem em um mundo paralelo ao nosso – que, diga-se de passagem, parece ser muito mais interessante!

Costumo recolher e registrar informações sobre o mundo da Teresa desde que ela tinha seus dois anos e meio, mais ou menos. Recuperar suas falas é no mínimo maravilhoso e tenho certeza que cada mãe e pai pode fazer o mesmo com seu filho!

Teresa vive num mundo onde a sala de comer é a “comideira” ou o lugar “comeloso”; o potinho de colheres é o “colhereiro”, Mogli é o menino loboso e a mãe de seu primo Dudu é a Dudusa. Ela prefere carne molhada à carne seca, seu pai tira a barba ao invés de “fazer” e depois que acaba o filme, no cinema, ela quer “ir lá falar com eles”.

Comecinho da noite, aquela lua grande quase cheia já reina bonita no céu. Teresa chama, impressionada: - Mãe do céu! Olha a Lua! Ta com a luz igual a do Sol!!!!!
Dias depois conclui: - Quando o sol recolhe as pétalas fica só a bolinha e ele vira lua!

E continua sua investigação pelo mundo dos astros: - Mãe, se a gente ta dentro do planeta e o planeta ta no céu, então como a gente vê o céu em volta da gente???
Andar de carro no mundo da Teresa é muito mais divertido do que vocês podem imaginar! Alguém por acaso repara quando passa por um túnel de árvores? Ela repara e explica: - Sabe o que é um túnel de árvores, mãe? É quando as árvores se encontram lá em cima, tá vendo aquela ali na frente? Não tá junto com a outra? Então, é um túnel de árvore.

Mas a mente investigativa não pára nunca, tentando decifrar esse mundo adulto do lado de cá: - Mãe, onde acaba a rua?

Eu já tentei de tudo: quando a gente chega em casa; quando chega no mar; quando chega na floresta; quando acaba a cidade. Mas até agora nenhuma resposta foi aceita... Outro dia eu disse que é quando a gente chega em casa. E ela retrucou: - Não, mãe, to falando quando acaba a rua, sabe a rua, esse caminho que a gente escolhe se vai pra cá, ou se vai pra lá, e vai fazendo o caminho? Então, quando acaba?

O que mais me surpreende é o foco que a criança usa na pergunta acerca no mundo. Afinal, só mesmo uma criança perguntaria: - Mãe, é difícil ser mãe? - Mãe, quando o João crescer ele também vai ter peitão? Ou ainda: - Mãe, como a gente engravida? - Mãe, por que o Michael Jackson morreu?
Uff....

Bom mesmo é deixá-los responder às próprias indagações, criar suas teorias únicas, elaborar por si sós questões complicadas pra nós, mas às vezes simples para eles...

- Sabe por que o Michael Jackson morreu, mãe? Porque o coração dele parou de bater, daí ele parou de respirar. Olha, faz de conta que eu vou parar de respirar e morrer!
E depois de um tempo: - Mas por que a gente morre, mãe?
- Sabe por que, Tê? A gente morre pra depois....
- Ah, já sei!! Eu já fiz isso! É assim: vivo! morto! vivo! morto!

Isso, filha, simples como uma brincadeira! E eu que pensei que ela iria desfilar lembranças de outras vidas... Como quando contou que já foi pra Disney, e eu perguntei se foi de brincadeira: - Não, mãe, de verdade. Antes de você ser minha mãe, por isso que você não sabe. Eu fui quando era a minha mãe Juju e meu pai Léo. A gente morava num castelo e o meu irmão tinha um cachorro que dormia numa casinha que era um buraco. Depois que eles morreram que você veio.

Mas outro dia ela me disse que a mãe Juju dela não existe, ela estava só brincando!
Às vezes a realidade se mostra cruel e dolorida. Como o nascimento do irmão, tão esperado, aguardado e sonhado, mas também tão cruamente real: não tem nada de fantasia no fato da mãe não estar mais inteira e exclusiva para ela!

Uma das reações da Teresa quando João nasceu foi começar a tropeçar e cair. Primeiro levou um tombão da cama, poucos dias depois foi de cara no chão; no outro dia mais uma queda de cima da cama e em seguida um escorregão no chuveiro, do qual levantou chorando ofendida e dolorida. Declarou: - Eu tô me quebrando toda!

Cruel verdade!

Ainda assim a vida lhe parece simples: - Depois eu vou crescer e vou ter trinta anos que nem você, e eu vou dirigir e vou ter um "irmão" na barriga que vai chamar Gabriel!

Ou então: - Mãe, eu quero uma irmã!; -Ué, Tê, mas onde a gente vai arrumar uma irmã?
Fingindo que pega alguma coisa do chão com as duas mãos, Teresa explica: - A gente pega a irmã, põe na barriga da Mamãe, daí espera um tempão ela 'nascendo'.

Um mundo simples que por vezes esbarra em uma complexidade incompreensível, caótica e talvez desconexa. Nesses momentos as reflexões surpreendem: - Ai, mãe, hoje a vida ta muito difícil, né?; - Por que, Tê?; - Ta com muito caroço; - O que é o caroço da vida?; - Nossos desejos...

Desejos, frustrações, fantasias... sonhos: - O sonho é um ensaio. Sim, ela disse isso. E desse ensaio já nos trouxe alguns relatos:

Sorridente: - Mãe, sabe o que eu sonhei hoje? Com coração!

Sussurrando, e com animação na voz: - Mãe, sabe o que eu tava sonhando? Com um corpo que era todo de mola! E o braço virava assim!

Com ar tristonho: - Mãe, eu sonhei que eu tinha 'se' perdido de você. E você tinha se perdido de mim.

Com medo, chorando: - Mãe, eu sonhei que você e o João entraram num buraco dentro do mar e se afogaram, e eu fiquei no colo do papai!

E assim a vida é muito mais que sobrevivência; é vivência intensa, emocional, passiva. Afinal, sabem o que é sobreviver? - Sobreviver é uma palavra que é assim: quando você vive um pouco mais e depois já vai morrer.

De minha parte nem preciso dizer o quanto aprendo diariamente convivendo com essa pessoa chamada Teresa, que quando é abordada por um senhorzinho brincalhão no parque: - Teresa! Você é de São Paulo ou de Fortaleza?

Responde:
- Sou do Corinthians, mano!!!

domingo, 8 de novembro de 2009

Ausência justificada



por: Kathy

Oito e meia da noite de domingo e eu sem nenhuma idéia do que escrever hoje aqui no Mamíferas. Enquanto estou sentada diante da tela branca do computador tentando pensar em alguma idéia mirabolante Samuel pára aqui do meu lado, já com um olharzinho de sono, e pede com uma carinha de malandro: "mamãe, cheira minha barriga?".

Dou risada, mas ainda permaneço aqui tentando pesquisar algo na internet que possa se transfomar em um texto legal pra hoje. Mas o rapazinho não desiste fácil e muda até o tom de voz pra barganhar comigo: "Ah, mamãe, trabalha mais tarde e agora cheira a minha barriga, vai?"

Como resistir a um pedido desses? Eu juro que estou me esforçando, mas percebo que meu pequenino já está ensaiando uma nova investida. E podem apostar que dessa vez será muito mais difícil recusar o apelos já que meu pequeno é muitíssimo convincente e...

Oh, não! Ele já está aqui! Será que ainda dá tempo de pesquisar uma foto convincente? Difícil. Mamíferas queridas, me perdoem, mas tenho certeza absoluta que vocês me entenderão e certamente perdoarão, mas hoje, nesse momento, não vou me preocupar com mais nada que não seja a risada do meu filhote. Será que minha ausência fica devidamente justificada? Espero que sim! Durmam bem que lá vou eu me dedicar à desagradabilíssima tarefa de cheirar a barriguinha mais linda do mundo e ouvir a gargalhada mais gostosa do universo.

Durmam bem!

Imagem: Saquinho de risadas http://www.japanmagic.net/store/images/Saco%20da%20Risada.JPG

sábado, 7 de novembro de 2009

E Que Venham as Férias!!!


por: Tata

Hoje, enquanto vocês estiverem lendo esse post, estaremos colocando o pé na estrada, eu, maridão e nossas três pimentinhas. Ficamos fora por quinze dias. Queria avisar, porque dificilmente terei acesso à internet nesse período, então vou dar uma sumida aqui do blog. Meus posts continuarão sendo publicados às quartas e sábados, porque vou deixar programado. Mas comentar, responder comentários, vai ficar mais difícil.

E queria aproveitar pra contar também como é bacana sair de férias com filhos mais velhos. Nós costumamos fazer viagens curtas com as meninas, mas da última vez que fizemos uma viagem mais longa elas ainda eram pequenas, tinham pouco mais de dois anos. Ainda não entendiam bem os preparativos, nem mesmo se davam conta de que estávamos saindo de férias.

Agora, foi totalmente diferente. Já há duas semanas que as mocinhas contam os dias que faltam para chegar o tão esperado sábado em que poríamos o pé na estrada. Maior expectativa, planejamento, preparação. Saíram contando pra todo mundo que viam pela frente, e ainda esnobavam: "você vai ficar com saudades de mim, sabe por quê?? porque eu vou viajar!!!", donas de si.

Hoje, quando comecei a arrumar as malas, foi a euforia total. Quiseram escolher os brinquedos que levariam, juntaram as tralhas de praia, ajudaram a arrumar as roupas. Arrumada a malinha (inha?? vocês não imaginam a quantidade de coisas que a gente leva, quando viaja com três crianças...) delas, vim para o meu quarto arrumar a minha. Elas vieram atrás, continuaram opinando, 'leva esse, mamãe! não, esse não, aquele é mais bonito!!'.

Depois de muito zanzar pra lá e pra cá, ajudando a juntar as malas num canto, a pegar as coisas do banheiro para colocar na necessáire, a juntar as bolachinhas para matar a fome durante a viagem, caíram exaustas, dormiram em menos de dois minutos. Não sem antes soltar um último comentário: "é bom que a gente já vai dormir, né mamãe, assim amanhã já chega logo e a gente viaja!!".

Agora estou aqui, doida de vontade de vê-las levantar bem cedo amanhã, com os olhinhos brilhantes e pulando feito duas cabritinhas, como elas fazem quando ficam muito animadas com alguma coisa.

Então é isso, au revoir amigos, e até daqui a duas semanas! Volto com bastante história pra contar, prometo!


Imagem: arquivo pessoal (Ana Luz e Estrela 'papeando' na beirinha do mar, Praia Rasa, em Búzios, março de 2007)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Por que o Parto Natural é Melhor?

por: Kalu

E lá foi lançado,
Depois de uma dança
A semente voou para além dos sonhos
planejados ou não
para germinar no útero.

Que mágico momento de encontro
que fez a vida
Era um minúsculo conglomerado de células e amor
Ilusões, enjôos e expectativas

Foi crescendo e nadava por grande espaço
Que a cada dia foi ficando menor
Até que ambos não tinham mais para onde crescer
Barriga e gente


Eis que chega a hora
Pulmões formados e um hormônio dá a largada
Para a dança da vida
O útero abraça em despedida
Aquele ser que se fez de carne de dois
e a alma de Um


A cada abraço, o coração dispara
A pequena vida desperta se prepara para conquistar
Por ela mesma seu caminho
Sem drogas, sem cortes
Sem artificialismo
Respeitando seu idiossincrático bailar
Rápido como um tango
Ou lento como uma valsa

Na dor, a mãe se supera
e estranhamente sente prazer
por honrar a força vital
Descobre que seus limites são infinitos

O bebê gira dentro do corpo materno
Escorrega por onde entrou
Tendo pela primeira e única vez
A possibilidade de ser abraçado em inteireza
Um abraço que expulsa líquidos
Massageia a cabeça

E aquela mulher que se permitiu dançar
no ritmo da melodia dos seus hormônios
Vive o êxtase de sua feminilidade
A força de seus instintos ocultos
Ela nasce com aquela vida
E se refaz com um pequeno nos braços
Orgulhosa por sua coragem
Cheia de amor por sua cria
Que já mama e é abraçada
Por uma mãe desperta,
Que saiu da matrix e nunca mais vai adormecer.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O Pequeno Príncipe na Oca

por: Kathy

Eu nem sou miss, sabem, (ok, piadinha sem graça) mas eu simplesmente ADORO O Pequeno Príncipe. Todo mundo que me conhece já sabe. Tanto sabem que sempre quando um amigo vê alguma coisa sobre o principito por aí, vem logo me avisar. Quando viajam e encontram algum objeto no tema até trazem pra mim. Fiz o aniversário de primeiro ano do Sam nesse tema também.

Imaginem vocês então quantas pessoas vieram me contar da exposição "O Pequeno Príncipe na Oca". Umas quinze, que eu me lembre, rs... Já estavam até me cobrando: "não foi ainda?"

Pois fui sim e me encantei! Saindo do Planeta Oca e partindo diretamente para o Asteróide B612 (os ingressos são no formato de uma passagem aérea), a viagem foi uma delícia.

Acho deliciosa a idéia de O Pequeno Príncipe de manter viva a criança que vive dentro de nós e acho que a exposição faz com que a gente resgate mesmo um lado criança. Criança que admira as lindas aquarelas de Saint Exupéry, criança que pega giz de cera pra tentar desenhar um carneiro, que senta no chão e presta atenção nos fragmentos da história sendo contados ali de forma tão lúdica...


A exposição é dividida em quatro partes, nos quatro andares da Oca, aqui em São Paulo. No Térreo, os desenhos parecem criar vida. Encontramos os vários personagens do livro: a rosa, o pequeno príncipe, a raposa, a cobra, o aviador e os habitantes dos planetas representados em boxes e instalações - algumas com pequenos vídeos, outras com desenhos, algumas mais interativas, outras contemplativas. As crianças ficam bem livres, conseguem passar as mãos em tudo, explorar o espaço e ficam encantadas com as cores e luzes. (para as fotos, procure aproveitar a iluminação do local - que é linda - e deixe os flashs de lado).

Não deixe de passar pela obra do artista multimídia japonês Takahiro Matsuo onde as crianças (pequenas e grandes) conseguem "arrastar" com elas como se fossem balões os famosos pássaros que carregam o Pequeno Príncipe por suas viagens interplanetárias. O segredo está em uma esfera que, colocada na palma da mão, projeta a cena dos pássaros. Lindo! Me emocionei vendo Samuel encarnando o Principezinho.

No subsolo fica o Cine Petit Prince onde atores vestidos de aviadores interagem com animações na tela e contam algumas histórias do livro. Também no subsolo é possível passear por um mapa imenso acompanhando as aventuras do piloto Saint Exupery enquanto fazemos conexões entre a biografia do escritor e a história de O Pequeno Príncipe. Samuel amou ver o avião, os campos de trigo (da cor dos cabelos dele e do Petit Prince) e a cobra, de longe o personagem que mais intriga o meu pequeno.



O primeiro andar é muito interessante mas certamente é também a parte mais cansativa para as crianças pequenas. Lá encontramos fotos de Saint Exupéry e sua família, desenhos originais do autor e até a coleção do catalão Jaume Arbones, maior colecionador de O Pequeno Príncipe em todo o mundo (eu chego lá ainda :op). Todos os livros expostos são primeiras edições publicadas em 60 idiomas diferentes. Muito legal! Lá também está uma pulseira de prata encontrado em 1998 por um pescador no Mediterrâneo, próximo à Marselha e que pertencia ao escritor - que desapareceu num misterioso acidente aéreo.

O segundo andar foi de longe o meu preferido. O teto da Oca se transforma no Universo com projeções animadas dos planetas da história do livro (incluindo, claro, a Terra). Podemos então nos deitar (e rolar, e brincar, e escalar) no asteróide B612 e de lá contemplar os amanheceres constantes que o Pequeno Príncipe tinha o privilégio de presenciar. Dá pra chegar pertinho dos vulcões e até tocar na Rosa. Difícil foi convencer Samuel a ir embora dali. Definitivamente lindo!


Cuidado com a lojinha na saída, é quase impossível segurar a onda e ir embora sem comprar nada. As lindas camisetas infantis com o tema do Príncipe custam por volta de R$ 30. Sandálias Melissa O Pequeno Príncipe, R$ 100, pingentes de prata com temas do livro de R$ 80 a R$ 120. Tem cadernos, caixinhas, adesivos, almofadas, mil coisas... Tudo meio caro, mas muito bonito. Quase enlouqueci!

A exposição fica na Oca até dezembro. Não deixem de visitar. Com certeza um passeio muito agradável e emocionante para todas as idades.

Serviço:
O Pequeno Príncipe na Oca

Parque do Ibirapuera
Pavilhão Lucas Nogueira Garcez - OCA
Av Pedro Álvarez Cabral, s/nº - Portão 03 - São Paulo - SP
Funcionamento:
De terça a sexta-feira, das 9h às 19h
Finais de semana e feriados, das 10h às 20h
Fechado às segundas-feiras.
Ingressos:
R$ 18 (inteira) e R$ 9 (estudantes e professores, com identificação da instituição)
Entrada franca para menores de 3 anos, maiores de 60 anos, público especial e grupos de escolas públicas agendados.

Nas terças feiras a entrada é gratuita

Imagens: Arquivo Pessoal (eu e o Sam na exposição fotografados pelo meu amore :o))

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Carregando com Segurança - blogagem coletiva


por: Tata

Quando minhas filhas mais velhas nasceram, há quatro anos e meio atrás, usar sling ainda era algo bastante incomum. Se eu via alguém carregando um bebê no sling - e isso era muito, muito raro de acontecer - já sabia que aquela pessoa devia estar, de alguma forma, ligada ao mundo da humanização do nascimento, da maternidade ativa, da amamentação e tudo mais.

Hoje em dia, depois de muita divulgação, de muitas matérias em revistas, sites, e até programas de TV falando sobre o babywearing, usar sling parece ter 'virado moda'. Foram pipocando fabricantes por todos os lados, fazendo e vendendo slings de todos os tipos.

Se por um lado isso é legal, porque espalha por aí um hábito super bacana e saudável, que é o de manter os nossos bebês sempre juntinhos, agarradinhos com a gente, sentindo o calor do nosso corpo e ouvindo as batidas do nosso coração, prontinho pra mamar a hora que quiser, ou tirar um soninho gostoso pendurado na mamãe - ou do papai, que papai também slinga, ô se slinga!! - , por outro a popularização do sling fez com que muita gente que não entende do asssunto se atirasse a fazer de qualquer jeito e sair vendendo, sem muito compromisso com a qualidade, apenas tentando alcançar esse 'nicho de mercado' que se formou.

Gente, isso é muito, muito sério. Sling é pra ser algo bacana, gostoso, saudável. Sling mal feito, mal acabado, com argolas inadequadas, feito com tecido de má qualidade, coloca em risco aquilo que temos de mais valioso: nossos filhotes. Um sling cujo tecido não resiste ao uso contínuo, uma argola que rasga o tecido ou, pior ainda, quebra, pode acabar em uma queda feia, e em consequências tristes.

Por isso, meninas, olho vivo!! Tem muita gente por aí fabricando slings sem nem saber como se usa, copiando de fotos ou modelos que achou pela internet, usando argolas fabricadas para fins totalmente diferentes... tudo isso é muito sério. Se você está procurando um sling pra carregar seu filhote, procure, informe-se, experimente, pergunte, tome cuidado com cada detalhe. Preste atenção na qualidade do tecido, no material das argolas. Nesse site tem bastante informação de confiança, que pode te ajudar na hora de escolher o melhor carregador para usar com seu bebê.

E lembre-se: boas argolas, bons tecidos, tudo isso tem seu custo. Desconfie de slings muito baratos. Soube recentemente que se pode encontrar slings em uma rua de comércio popular aqui de São Paulo, por preços na faixa de 20, 30 reais. Outro dia, vi um para vender em uma loja de brinquedos educativos, 40 reais. Fujam! Carregadores de bebês podem ser um item um pouco mais caro, mas os de qualidade valem cada centavo do investimento. Palavra de quem tem vários em casa, todos muito bons e que nunca me deixaram na mão.

Ultimamente, tenho usado um da Lilith, pouch, sem ajuste, de malha de bamboo com viscolycra que, além de lindo, fresco e confortável, é super seguro, porque o pano é super resistente. Na Casa Materna, ou Gama, tem uma infinidade de slings de qualidade pra vender, de várias marcas. Para aprender a usar, ou se você já tem um sling e quer saber se é seguro mesmo, dê um pulo nas reuniões da Matrice, que as meninas entendem tudo de babywearing.

Esse post faz parte da blogagem coletiva por slings seguros e de qualidade, proposta pela nossa querida companheira mamífera Pérola, do Mamãe Antenada.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nascer Sorrindo

por: Kalu

Imagine um ser, que nunca foi tocado, que nunca viu a luz, ser recebido de cabeça para baixo, tomar uma palmada no bumbum, cegado por uma luz artificial que serve para que o "dotô" veja melhor as coisas e esfregado por um pano áspero assim que chega a esta Terra?

Não há outra coisa a fazer senão gritar a plenos pulmões e orgulhar os pais que acham que o choro é sinal de vida. Mas não é. É dor, pura dor, como da mulher anestesiada que com um pano azul tem sua barriga cortada. Um choro que clama por respeito. Respeito pelo modo de nascer, sem ser arrancado do ventre, sem receber doses de anestesia, sem ser afastado do universo conhecido que é o braço da mãe. Choro de quem queria ser abraçado e expelir naturalmente o líquido dos pulmôes. De quem queria ter tido um braço vivo para segurá-lo com amor e um peito disponível para mamar. O cordão no tempo certo ser cortado e enquanto isso não acontecesse, mamaria.

Nada de tubos nas narinas, colírios para prevenir uma conjuntivite causada por gonorréia e injeção de Vitamina K. No lugar da balança fria, o braço quente da mãe, um pano macio a aquecer o corpo. O quarto escuro, o silêncio bailante com a música que a mãe escolheu para o parto, o cheiro das entranhas, do vernix da pele do bebê. E não há separação por nemhum momento. Do colo da mãe, para o braço do pai. Olhos despertos, sentidos aguçados, para depois dormir o sono dos justos.

Acredito que defender o direito de nascer sorrindo deveria ser nossa segunda luta, que nasce com o direito de parir plenamente. Esta dupla anda junta. Um parto humanizado proporciona ao bebê um nascimento menos traumático, mais humano, pleno de significado.

Se não podemos impedir todos os sofrimentos da vida de nossos filhos, podemos fazer da primeira experiência a menos traumática e mais saudável para ambos. E parir em casa, neste contexto, se torna convidativo. Mais do que o direito de parir naturalmente a escolha pelo meu parto domiciliar surgiu porque queria que meu filho vivenciasse a naturalidade em cada instante. Sem brigar com os protocolos do hospital. E a lembrança de seu semblante sereno e seu cheiro de vida são memórias que guardo como grande vitória no arquivo da minha vida.

E você, se pudesse, como gostaria de nascer? Sorrindo ou chorando?

domingo, 1 de novembro de 2009

Do preconceito de gênero

por: Kathy

Resolvi aceitar o convite da Ceila do Desabafo de Mãe e dar minha opinião sobre o "caso Uniban", um dos assuntos mais comentados da semana na internet (cliquem no link e entendam o que se passou).

É tão absurdo ver aquele bando de moleques agir de forma tão ofensiva e violenta que me deixa quase sem palavras. É tão idiota imaginar que nós mulheres continuamos sendo vistas como as "culpadas" ao sofrermos ameaças de violência sexual que eu quase não contenho a minha indignação.

Uma menina não pode usar roupas curtas, porque ela está "pedindo pra ser estuprada", então? É ela quem está errada? Não são os caras que humilharam aquela garota publicamente que estão errados?

Eu, como mãe, penso sempre na dificuldade que é educar nossas crianças nesse mundo tão machista. O preconceito de gênero, assim como alguns outros tipos de preconceito, é tão velado que a gente quase se acostuma com ele, quase convive, quase acha graça das piadinhas. É nesse quase que o perigo mora. Quando algo não nos choca mais vira comum, banal, e então acabamos adotando aquilo como normal.

Vi em alguns lugares as pessoas justificando a atitude dos caras dizendo que estavam ali no "oba oba", na brincadeira, só pra zoar e matar aula mesmo. É exatamente sobre isso que estou falando, quando uma faculdade inteira pára pra entrar no oba-oba de meia dúzia que classificou a roupa de uma colega como "inapropriada" e resolveu ofendê-la e ameaçá-la de estupro, o mundo está mesmo muito, muito errado.

Todos os dias olho pro meu pequeno e desejo que ele seja um cara legal, educado, gentil, que não seja preconceituoso, que respeite as pessoas. Penso nos exemplos que dou a ele todos os dias, nos valores que quero passar e nos que já passo. Apesar disso, dá um medo pensar que eu posso não fazer o suficiente, sabem? Um medo imenso de pensar no meu guri enfiado nesse mundo onde mulher "provoca" e homem pára de pensar e vira bicho irracional.

Enfim... Que vocês acharam dessa polêmica toda? Contem pra gente!

sábado, 31 de outubro de 2009

DVD no carro, por que não?

///
por: Tata

Lembram daquela propaganda de carro, com um casal viajando enlouquecido pelas discussões das crianças no banco de trás, ao som de um rock bem barulhento, enquanto o casal da outra pista relaxa ao som tranquilo de uma música clássica, porque o carro deles têm o que chamam de "tecnologia acalma criança"?? Pois bem, vocês vão me achar maluca se eu disser que acho a viagem do primeiro casal bem mais bacana e divertida?

A tal 'tecnologia acalma criança' é um DVD instalado no banco de trás, onde os pequenos podem passar a viagem toda assistindo desenhos, o que teoricamente tornaria a viagem menos estressante e cansativa.

Posso parecer antiquada, mas eu torço o nariz pra esse tipo de coisa. Acho que é o tipo de aparelho que só contribui para distanciar ainda mais as famílias, para eliminar as conversas, para afastar as pessoas.

Eu me lembro com muito carinho das viagens da minha infância. Íamos eu e meu irmão no banco de trás, minha mãe no banco da frente, às vezes meus avós junto, e não nos cansávamos de inventar novas formas de passar o tempo: propúnhamos jogos de adivinhação - como aquele em que um dos jogadores pensa em um objeto/pessoa/lugar, etc, e os outros têm que fazer perguntas para serem respondidas com sim ou não... adoooro esse jogo até hoje, hehe - , brincávamos de chutar qual seria a cor do próximo carro a passar ao lado do nosso, ou de contar quantos carros vermelhos passavam, contávamos histórias, piadas, jogávamos o jogo do 'bum' (alguém conhece?), enfim, fossem quantos fossem os kilômetros de estrada adiante, sempre surgia uma idéia nova para animar o ambiente.

Se era cansativo? Sim, muitas vezes era. Mas mesmo nessas horas, fazíamos piada do nosso próprio cansaço, ríamos de nossa própria aparência descabelada e amarrotada - quem é que consegue chegar limpinho e arrumadinho ao seu destino?? - , enfim, arrumávamos um jeito de, juntos, tornar aquela viagem uma experiência em família, saborosa, bacana.

Hoje, eu tento passar um pouquinho disso para as minhas filhas. Nossas viagens são momentos para estarmos em família, só nos quatro (agora cinco!!), momentos para que a gente se curta, para que estejamos de fato uns com os outros. Quando saímos para um trajeto longo, enchemos o carro de brinquedinhos, livrinhos, biscoitos, barrinhas e outras coisinhas para a hora da fome, colocamos o bom-humor na bagagem e vamos embora.

Sem dúvida, ligar um DVD passando desenho no banco de trás do carro nos proporcionaria uma viagem muito mais silenciosa, mais organizada. Mas nossas filhas perderiam a oportunidade de olhar pela janela e apreciar a paisagem, ver os carros passando, as árvores, as montanhas, as vacas na beira da estrada e, como eu quando era criança, apontar entusiasmadamente para eles, gritando para o resto de nós: "olha só, que legal!!!". Perderiam a oportunidade de dar risada com a palhaçada do papai no banco da frente, de curtir a história contada pela mamãe, de fazer aquela bagunça gostosa que depois, em casa, a gente relembra com tanta alegria.

Em nome de ter menos trabalho, de facilitar as coisas, de se cansar menos, acho que às vezes a gente exagera. E acaba perdendo a oportunidade de viver momentos especiais, momentos de alegria, de comunhão. E afinal, os momentos mais cansativos, mais bagunçados, os que exigem mais da gente, também fazem parte da vida em família, é ou não é?

É por isso que aqui em casa, DVD no carro é um acessório mais do que dispensável: é indesejado. E pra vocês? Alguém aí tem uma experiência diferente pra contar?


Imagem: http://www.ovelho.com/content/dvd-no-carro

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Fugindo da Cilada do Cesaristas - A missão


por: Kalu

Como saber se seu médico não vai te enganar?
Existe um teste criado pela doula e enfermeira obstetra, Ana Cristina Duarte que é excelente para testar seu médico (para saber se ele está alinhado com os pensamentos que envolvem a humanização do parto e do nascimento). O pensamento de muita gente é: se meu médico estudou sabe mais do que eu sobre medicina. Certo?" Corretíssimo, mas ele deve saber sobre os problemas(doenças) e não tratar qualquer grávida como uma doente em potencial. A maioria das gestações é saudável, sem intercorrências e mais de 75% podem ter um parto normal.

No Brasil a profissão de médico e a postura dos mesmos é de um Deus, aquele que decide a hora de nascer e morrer. Toda medicina é tecnocrata e fragmentada. Na contrapartida as pessoas também depositam no médico toda a decisão sobre seu parto (e vida) e acreditam, sem questionar, sem pensar nas questões práticas (será que ele lucra mais om minha cesárea?), se aquela indicação é ou não fundamental. O curioso é que quando alguém recebe um diagnóstico de cirurgia, sempre uma segunda ou terceira opinião médica é procurada. Depois, a decisão por vários aspectos da vida da criança ficará nas mãos dos pediatras, muitos deles intervencionistas, tecnocratas e fragmentada.
A Beatrice disse algo que concordo muito: "Eu acho que deveria tirar um pouco da onipresença do GO e passar essa parte de preparaçao ao parto (e ate mesmo a sua execuçao) para as enfermeiras obstetras, como é aqui na Europa. Estas por sua vez, deveriam ser bem treinadas para fazerem do parto a "obra de arte", sem intervençoes.

Mas a cesariana é tão banalizada (e cada dia tão mais comum que um parto normal) que nem é questionada. Lembrando que ainda muita gente acha que parto natural é coisa do passado e tecnologia serve para extrair o feto da barriga. Eu não gostaria de viver com um coração artificial ou braço mecânico se não houvesse necessidade. Tecnologia deve ser usada quando os recursos do corpo falharam. Um último alerta: se seu médico não for humanizado, se as taxas de cesárea dele for de 80% (só faz parto normal em mulher que chega com bebê coroado)


Benefícios do Parto Natural para o Bebê
A pedido da Carol Souza, aqui de BH, ela disse que em muitos lugares se fala dos benefícios para a mulher sobre o parto natural, evidenciando o bem-estar sentido para poder cuidar do bebê depois do parto. Acontece que muitas mulheres dizem que suas cesáreas foram indolores porque permanecem cheias de analgésico e antinflamatórios para não sentirem as dores de suas cicatrizes. Esta dose cavalar de medicamentos chega até o bebê, assim como a anestesia (seja em um parto normal ou cesárea). Por isso métodos não farmacológicos para alívio da dor são a melhor opção para que o bebê chegue desperto para esta vida.


Outro ponto fundamental é que os pulmões dos bebês são os últimos a amadurecerem e isso só acontece nas vésperas do nascimento. Uma cesárea eletiva, com 37 ou 38 semnas é um crime contra esta vida (que nada pode fazer contra esta insana decisão). Grande parte destes bebês terão problemas respiratórios para o resto de suas vidas e muitos deles precisarão ainda de uma UTI neonatal nos primeiros dias de vida. Vale lembrar que uma gestação pode durar até 42 semanas. Ou seja, quem opta por uma cesárea eletiva com esta idade gestacional não pensa (ou não sabe) das consequências deste ato para o bebê.


Vale lembrar que quando passam pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. Isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce. Sem falar que as contrações uterinas estimulam o bebê. O hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia.


Profissionais humanizados
Achei o blog http://profissionaisph.blogspot.com/ com indicações. Quem tiver mais mande nos comentários que vou acrescentando aqui. indico aqui em BH http://www.bemnascer.blogspot.com/ e http://www.nucleobemnascer.blogspot.com/. a Beatrice indicou www.aobabebe.com.
No próximo post vou falar sobre os procedimentos desnecessários com o Recém nascido. Fúlvia, seu pedido sobre benefpicios para o bebê fica para a próxima segunda.