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Investigando minha dificuldade de emagrecer e minha dependência com doces pude mergulhar na minha infância esquecida. Minha mãe me desmamou aos 4 meses orientada por seu obstetra uma vez que estava grávida novamente (coisa que sabemos ser desnecessária). O amor do peito, da presença exclusiva, da dedicação, trocada por um bico artificial e um leite encorpado e adocicado. Meu coração solitário era esquecido uma vez que o estômago cheio e a digestão lenta espantavam minha solidão.
Não é de se estranhar que sempre que eu me sinta triste ou sozinha precise comer para repetir o padrão arraigado na minha lembrança. Foi muito tempo de terapia para entender esta relação comida e sentimento. Mais velha, me lembro hoje com muita reflexão, da sensação maravilhosa de receber um saco de doces do meu tio avô, das balinhas da casa da minha bisavó, da farra dominical que meu pai fazia nos deixando comprar quantos doces coubessem em um saquinho. São sentimentos mediados por açúcar. E quando vem a tristeza..... Da-lhe doces.
Meu filho quando se machuca ou está triste pede meu peito, olhando nos meus olhos ele reencontra seu porto seguro e minhas palavras carinhosas.
Acho que quando se discute a obesidade e outros distúrbios alimentares a amamentação deveria entrar na lista de prioridade. Afinal ela é mais que simplesmente alimentar. É a forma de estabelecer vínculos sentimentais profundos, é a maneira que nós mulheres temos de dizer aos nossos filhos que estamos oferecendo nosso tempo e dedicação cientes que se trata do alimento mais perfeito, pleno, cheio de nutrientes na medida certa e de amor além dela.
Quando estiver cansada e pensar em desmamar lembre-se que este é um ato sagrado, que só uma mãe pode fazer a seu filho. Ouvi o depoimento de uma mãe adotiva que através do estímulo da mama através da translactação consegiu amamentar seu filho adotivo. Ela, a quem a natureza privou de parir, mostrou a consciência da importância deste ato, com lágrimas nos olhos.
Seja uma mulher de peito e amamente com orgulho.
Imagem: Paula Lyn - http://www.paulalyn.com.br/



