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Kalu
Tata
Sou Danielle Kioshima Romais, mas todo mundo me conhece como Dani, Dani Sapoo, Daninha, Japinha e outros apelidos carinhosos que adquiri ao longo da vida. Sou casada há 14 anos com o Jeff Romais. Tenho 32 anos e sou a mãe do Kiyo, menino de 3 anos, feliz, esperto e saudável. Sou bióloga por formação e apaixonada pelas questões ambientais, principalmente no que tange a conservação ambiental. Atualmente estou cursando o mestrado em Ciências Ambientais na Florida Atlantic University nos EUA, mas meu coração ainda vive em Curitiba, minha terrinha. Desde que o Kiyo chegou em minha vida, vou aprendendo novas formas de lidar com o mundo incrível da maternidade. A maternidade me transformou. Aprendi muito durante esses 3 primeiros anos, mas tenho certeza que preciso aprender muito mais. Clique aqui para conhecer nossa família e aqui para ler meu texto dessa semana no Mamíferas.


Minha vida mudou radicalmente. Entrei na caverna e ali fiquei, quietinha, por alguns anos. Cuidei da minha menininha, cuidei de mim mesma, li, estudei, bloguei, tirei muitas fotos. Fiz uma imersão prática e teórica no tema maternidade. Descobri como é difícil a condição da mulher que opta por ter filhos – tanto da que decide ser mãe em tempo integral e de certa forma se torna uma pária social (quem, como eu, passou por isso, vai saber exatamente do que estou falando), quanto da que escolhe continuar trabalhando e encara dupla, tripla jornada...e muita culpa. Com isso percebi como é cruel o preço que pagamos para nos adequar: calar nossos instintos e nos alienar de nós mesmas.
Agora estou voltando ao mundo, pouco a pouco saindo da caverna. Mas não, não voltarei ao mundo corporativo! Dias atrás, assistindo a essa palestra de Isabel Allende, no TED, que embora não tenha como tema a maternidade aborda a evolução do feminismo, a importância da energia feminina para a humanidade e a paixão que nove algumas mulheres, me lembrei da frase de Gandhi “seja você a mudança que deseja ver no mundo”, que por sua vez me remeteu aos projetos nos quais ando envolvida e às mulheres apaixonadas com quem tenho trabalhado e compartilhado ideais e projetos.
Tenho poucas certezas nessa vida, e uma delas é de que a forma como trazemos novos seres ao mundo e a qualidade da infância que proporcionamos a nossas crianças são a chave para uma humanidade mais fraterna e empática. Atribui-se também a Gandhi a frase “if there is to be peace in the world we must begin with the children”. Faz todo o sentido pra mim e, hoje, é o ideal que me move e que além de me influenciar como mãe está me impulsionando para um rumo profissional totalmente novo.
Isso tudo pra contar pra vocês sobre a mãe que escolhi ser, totalmente diferente da que imaginava que seria antes dessa aventura chamada maternidade começar. Apesar de minha vida ter virado de cabeça pra baixo - e lidar com isso não é fácil – estou muito feliz com o rumo que ela tomou - a vida não me levou, mas foi conduzida pelos meus instintos maternais e mamíferos e pelo exercício incessante de fazer escolhas conscientes com respeito ao que sou, ao que fui e ao que quero ser.
Imagem: www.gettyimages.com.br




Tem contadora de histórias e uma biblioteca circulante linda e muito bem organizada. Por conta disso as crianças a partir de 2 anos tem a possibilidade de levar para casa semanalmente livros que elas mesmas escolhem (todos devidamente separados por faixa etária indicada). Os livros vem numa sacolinha de pano personalizada com a foto de cada criança e eles amam a possibilidade de trazer os livros pra casa para lerem com os pais. É uma delícia de ver, ainda mais se pensarmos que muitas das crianças que estudam lá não tem a possibilidade de terem livros em casa.
Por ser uma escola gratuita, um benefício oferecido para quem trabalha aqui, a diversidade é grande. Tem crianças de todos os tipos e de todas as classes sociais, o que eu acho ótimo pois a troca de experiências é muito forte e muito importante entre eles e entre os pais, e funciona para diminuir preconceitos mesmo, pra que eles vejam na prática o quanto somos iguais mesmo dentro das imensas diferenças. 
A escola tem ainda atividades semanais como ateliê de arte, aulas de educação ambiental, de orientação nutricional, dança, brinquedoteca, isso sem contar a área livre imensa com jardim, flores, árvores e o popular "bosque" que as crianças amam e onde podem tomar sol, correr e brincar descalços e sem camisa e se sujar à vontade.
As aulas de educação ambiental trouxeram um resultado imediato pro Samuel, que virou fiscal da separação de lixo pra reciclagem lá em casa e vive me surpreendendo com comentários e observações sobre esse tema. Nessa aula as crianças também plantaram e aprenderam a fazer adubo com técnicas de compostagem. Montaram um terrário com minhocas e se divertiram demais!
E eles colocam em prática mesmo a consciência ecológica pois a escola já conseguiu eliminar completamente o uso de copos e outros materiais descartáveis. Cada aluno e cada funcionário tem seu próprio copo de plástico reutilizável e praticam mesmo a separação do lixo e o consumo consciente. Uma delícia!
No carnaval mesmo eles foram categóricos em solicitar que os pais não comprassem fantasias para as crianças pois as fantasias pro baile seriam confeccionadas pelas próprias crianças com materiais recicláveis e seguindo o tema de trabalho anual deles: cultura brasileira. Foi perfeito, ninguém gastou dinheiro, as crianças amaram fazer as fantasias e o resultado final ficou lindo!

A aula de dança e consciência corporal é uma novidade desse ano, motivada pela empolgaçao que as crianças demonstraram em 2009 com o teatro sobre o "Pequeno Príncipe" apresentado no fim do ano. Nas aulas de culinária e nutrição a nutricionista da escola apresenta alguns dos alimentos que serão consumidos no almoço e no jantar e desperta o interesse dos pequenos para provar novos alimentos. O resultado é que eles comem de tudo, sem frescuras, e comem muito bem.
Acima de tudo, o "clima" da escola é uma delícia. É um lugar gostoso mesmo, que dá vontade de entrar e ficar. Desde o começo sempre me senti muito à vontade lá e isso pra mim é extremamente importante. Também sempre tive abertura total para entrar e sair de lá na hora que eu quisesse e também pra sugerir, opinar e participar efetivamente da escola. Não tenho mesmo do que reclamar deles.
A única coisa que me incomoda é que eu realmente gostaria que ele ficasse menos tempo lá. A parte mais cansativa desse processo todo é a rotina diária mesmo, o ter que acordar cedo, se arrumar e ir para a escola todos os dias, enfrentar o trânsito caótico de São Paulo e atravessar a cidade sem possibilidade de outras opções. Voltar a noite só pra comer alguma coisa, brincar um pouquinho e cama. Sinto que muitas vezes essa rotina e a obrigação com os horários deixa o Sam bastante cansado e entendo completamente isso.
Meu balanço final é que tive muita sorte com a escola e com o que encontrei lá, mas num mundo perfeito gostaria demais de poder trabalhar somente em meio período para poder passar mais tempo com meu filho, deixar que ele acordasse a hora que quisesse e pudesse ir para uma escola perto de casa, se possível caminhando mesmo, sem grandes obrigações de encarar carro, trânsito, e essas coisas todas.
Espero ter ajudado em algo, pretendo fazer ainda um texto com dicas do que acho importante que uma escola ofereça. Vão comentando aí porque é uma delícia saber o que vocês pensam!
Imagens: arquivo pessoal - fotos da exposição feita no fim de 2009 mostrando algumas das atividades das crianças da escola nesse ano




por: Aline Tavares, mamífera convidada
Minha gravidez não foi planejada, embora tenha sido muito desejada e consciente. Mas, por não ter sido planejada, veio no meio da minha graduação em Letras.
Quando engravidei já me encontrava inserida nesse universo mamífero de partos naturais, amamentação prolongada, não terceirização da criança, etc. Não cogitava outra hipótese que não fosse ficar com meu filhote, mantendo a amamentação exclusiva e o colo em livre demanda, acompanhando integralmente seu desenvolvimento tão intenso no começo. E foi o que fiz, tranquei a faculdade e fui ser “mãe em período integral”.
Não deixei de sair de casa por causa do bebê. Aonde fosse, ele ia comigo, em seu sling, feliz da vida (de fato, ainda é assim, um ano depois). E os conhecidos sempre repetiam a mesma pergunta: “E a faculdade, como vai?” “Tranquei.” “Ah, vai voltar no próximo semestre?” “Acho que não.” “Não vai mais voltar?!” “Agora não.”
Claro que, no meu caso, aliado à gravidez estava um enorme descontentamento com o curso, que não me dava nenhum ânimo para voltar à faculdade. No entanto, junto com o filho, nasceram muitos projetos que também demandam tempo e dedicação.
E dedicação é a palavra-chave. O tempo agora é de dedicação ao bebê. O primeiro ano é tão importante, eles crescem tanto, adquirem tantas habilidades e precisam tanto da mãe por perto. Como eu poderia, tendo a possibilidade de escolha, optar por me afastar do meu filho neste momento?
Os projetos que quero desenvolver estão me esperando ainda, agora que ele completou um ano. E agora sinto que estamos ambos preparados para este breve afastamento diário que vai me permitir criar outros “filhotes”. Não quer dizer que, por ele ter completado um ano, pode ter sua educação delegada a outra pessoa. Mas sinto que ele não precisa tanto da minha presença constante. E acredito que esse pequeno passo de independência se deve ao respeito que tive pela sua fase de extrema dependência, absolutamente natural em bebês tão novos.
Embora pareça clichê, passa tudo muito rápido mesmo. Já faz um ano que ele chegou e o tempo das mamadas eternas, do colo constante, cada um ao seu tempo, foi passando, dando lugar a novas fases, que demandam tanta dedicação quanto as outras, de modos diferentes, e trazem novas conquistas a cada dia.
É preciso entender que parir, amamentar e cuidar de um bebê faz parte do pacote da maternidade. Quando escolhemos ser mães, devemos estar preparadas para investir tempo na educação de nossas crianças. Não só tempo de qualidade, mas quantidade também.
Depois, os filhos crescem, não precisam mais (tanto) de nós. Mais cedo ou mais tarde vão desmamar, dormir a noite toda, em suas camas, sozinhos. E vamos sentir saudades (boas) da época em que tínhamos que nos dedicar tão intensamente. Pelo menos é o que dizem essas mamíferas aqui. E eu acredito nelas.
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por: Flávia Penido (Mamífera convidada)
Está na hora do jantar. Ok! Vocês venceram. Bacon, ovos e salsichas. "Uau, Que delícia!" Exclamam as crianças, dando pulinhos em volta da mesa e fazendo som de índio em um ritual maluco cheio de euforia. Lavam suas mãos sem nem mesmo pedir. Não posso evitar um sorriso. Não consigo deixar de notar o olhar estranho de meu marido. Ou será que estou imaginado coisas?
Ufa! Estou exausta e angustiada na mesa. Sirvo as crianças e me pergunto como cheguei a esse ponto. As crianças vão comendo, se esbaldando. A mesa está um clima alegre, as crianças descontraídas conversam alegres com o pai. Mas eu fico suando a camisa só de pensar na quantidade de gordura e na falta de vitaminas que essa refeição exibe. Nem me falem de qual tipo nojeiras são feitas as salsichas!
Não é que me sinta culpada se às vezes as refeições não são saudáveis... Bom, sim, eu me sinto culpadíssima, e tenho a ligeira impressão de que tem um monte de vozes e dedos que apontam na minha direção. “Ai não enche!” Empurro com toda força esse Superego lá para o lugar desagradável de onde ele vem.
Procuro me concentrar na conversa animada das crianças. Olho para cada um deles. Observo como são bonitos. O nariz de pintinhas de minha filhinha me preenche de ternura. Meu marido escuta atentamente o que as crianças lhe contam, mesmo se tem atrás das costas um dia complicado de trabalho e um monte de problemas por resolver.
Isso me comove tanto! Logo, penso em como ele é querido, e como meu cabelo está desgrenhado. Olho envergonhada para as pantufas delirantes que estou usando, notando ainda como minhas unhas estão eternamente por fazer. “Bolas! Lá vem a culpa novamente!” Empurro com mais convicção ainda para bem longe esses pensamentos.
Sinto saudades das papinhas bem feitas, dos legumes feito no vapor, das crianças comendo toda a papa sem me perguntarem o que era. Eu estou pagando pela língua arrogante. Minha caçula nunca gostou de minhas sopinhas, e o primeiro prato que ela realmente adorou foi um espaguete à bolonhesa bem picante!
Eu que no auge de minha pretensão estava convicta que criança aprende a comer de tudo através do exemplo e da oferta que tem... Ledo engano! As crianças têm suas próprias papilas gustativas! Cada filho que eu tive veio quebrar mais alguns paradigmas me transformando em uma pessoa melhor, mais tolerante.
Para que vou contaminar o ambiente familiar com minhas frustrações quanto ao ideal de mãe e mulher que eu construí? Quero relaxar e aproveitar a refeição alegremente sem as reclamações de todo tipo: “Isso eu não como, este eu não gosto, assim é duro, assado é sem graça.”
Para que sobrecarregar as relações com expectativas ingênuas que tendem a ser impossíveis de se atender? Vou desfrutar deste momento por inteira sem me deixar acossar pela mãe que eu pretendo ser. Eu sou apenas uma mãe de carne e osso diante da aceleração do mundo moderno.
A alimentação da família é apenas uma faceta da criação dessa família, chega de rabugices! Por favor, não me entendam mal. É claro que vou continuar com a paciente tarefa de colocar brócolis no prato do meu filho para logo em seguida por acaso das circunstâncias encontrá-lo na boca do cachorro. Eu não desisto nunca, mas todo mundo precisa de descanso.
Apenas escrevi tudo isso para lembrar a mim mesma e a vocês leitores que continuaram até aqui, que a maternidade traz uma imensa liberdade para quem for capaz de ser mãe no espaço e tempo do presente, ao invés de estar nas saudades do passado ou no desejo do futuro. Se livrar das ilusões de Ego que nos amarram, para viver plenamente a vida como ela é. Para mim a maternidade trouxe a possibilidade de me sentir linda sem nem mesmo ter tido tempo de verificar se a depilação está em dia! Quanta liberdade!
Então para terminar nosso jantar em família. Todos dão uma gargalhada gostosa ao ouvir a piada que meu filho dispara. Nisso meu marido olha para mim, estende o braço e, me puxando para perto, me dá um beijo. Eu realmente vivo tudo o que preciso nessa vida!
