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Kalu
Tata
Sou Danielle Kioshima Romais, mas todo mundo me conhece como Dani, Dani Sapoo, Daninha, Japinha e outros apelidos carinhosos que adquiri ao longo da vida. Sou casada há 14 anos com o Jeff Romais. Tenho 32 anos e sou a mãe do Kiyo, menino de 3 anos, feliz, esperto e saudável. Sou bióloga por formação e apaixonada pelas questões ambientais, principalmente no que tange a conservação ambiental. Atualmente estou cursando o mestrado em Ciências Ambientais na Florida Atlantic University nos EUA, mas meu coração ainda vive em Curitiba, minha terrinha. Desde que o Kiyo chegou em minha vida, vou aprendendo novas formas de lidar com o mundo incrível da maternidade. A maternidade me transformou. Aprendi muito durante esses 3 primeiros anos, mas tenho certeza que preciso aprender muito mais. Clique aqui para conhecer nossa família e aqui para ler meu texto dessa semana no Mamíferas.


Por: KaluPeitos desnudos no carnaval, quase a mostra em comercia
is de TV. Mulatas nuas de seios de fora em quadros de famosos artistas. Campeões de cirurgias plásticas, nestas terras tupiniquins silicones dos seios são as preferidas das brasileiras. Somos um país em que o seio tem um forte caráter sensual;
Não foram poucas as mulheres que me disseram que deixaram de amamentar por medo que os seios caíssem. Talvez isso explique o vergonhoso índice de amamentação brasileiro de 53 dias. Junte este fator cultural com falta de orientação e prescrição de complementos por pediatras com forte interesses comerciais.
Não foram poucas as vezes que lidei com olhares “interessados” enquanto dava de mamar. E quanto mais meu filho cresce, mais incomoda homens e, principalmente mulheres que acreditam que mamar é uma escravidão:
- Tadinha, não conseguiu desmamar um menino tão grande que precisa de você para dormir.
A filha desta mesma mulher tem sete anos e ainda chupa chupeta. Isso
parece não pareceão ser tão incômodo, quanto um bebê grande mamando. A partir do momento que a mulher ganhou o mercado de trabalho com todos os benefícios que temos hoje, o tempo de amamentação diminuiu. Muitas mulheres precisam introduzir a alimentação precocemente,por volta dos 4 meses, oerecem chupeta e mamadeira e a confusão de bicos juntamente com a diminuição da demanda faz com que o bebê "largue" o peito e o leite seque.
Já se sabe dos benefícios da amamentação da primeira hora, da exclusividade até 6 meses. Mas ainda não há pesquisas e divulgação da imprtância da amamentação prolongada e do desmame natural. Aliás, os psicólogos são os primeiros a criarem uma série de análises psicológicas deturpadas quanto a isso. Freud deve sorrir de alegria e a relação entre amamentação e sexualidade corre solta nas mentes.
Cada dia meu filho mama menos, naturalmente. Praticante só para dormir a noite. É um menino independente a interessar-se mais por bolas, amigos do que peito. Um menino feliz, saciado de amor e dedicação. Porque amamentar é dar amor, alimento, fazer-se presente com inteireza.
É um ato de amor, um investimento em afeto e saúde que fazemos para a vida toda. Impede que os pequenos precisem de objetos que deformam suas faces e escondem suas expressões.
Saber que mais importante que a estética é a grande referência de amor que ficará para eles por toda a vida.
Imagens Principal - Miguel com 14 meses(Foto de Paula Lyn); 3 meses(Foto de Paula Lyn); 24 meses (Foto de Paula Lyn); 7 meses (arquivo pessoal); 28 meses(Foto de Paula Lyn).

Quando penso em amamentação, quando falo sobre o assunto e recebo comentários e/ou críticas, quando ouço um depoimento de uma mãe que conseguiu - ou não - amamentar seu filhote sem complemento artificial, é quase impossível não refletir a respeito, tentando compreender o que faz com que entre tantas mulheres, todas com a mesma possibilidade nas mãos, algumas consigam, e outras não. 
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Acho, sim, que tem um tanto a ver com o que a nossa querida mamífera convidada Ana B expressou lindamente no texto dela, publicado há algumas semanas, que vocês podem ler aqui. A forma como a gente encara as dificuldades, positiva ou negativamente, tem muito a ver com o que a gente consegue – ou deixa de conseguir.
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Mas tem um outro ponto que sempre me salta aos olhos, um outro tipo de comportamento, de percepção da amamentação, que acredito que também faça toda a diferença entre amamentar e complementar.
Não foram poucas as vezes em que percebi, em mães com quem encontrei e conversei sobre aleitamento, uma incapacidade de lidar com o sentimento de entrega absoluta, de exclusividade, essa sensação que a gente tem quando o bebê nasce, de ser apenas “um par de peitos” por alguns meses, e nada mais.
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Porque não tem jeito. O pai pode ser super presente e ajudar pra caramba, a avó pode quebrar um galho aqui e ali, a gente pode contratar uma babá pra dar conta de uma porção de coisas, mas na hora de mamar, a resposta é uma só: você. É você que seu bebê vai querer, e ninguém mais. E nem será só nas horas de fome. Quando ele se sentir inseguro, desconfortável, assustado, angustiado, é o peito da mamãe que ele vai buscar. É o seu aconchego, o seu acalanto, o toque das suas mãos. Outro não vai servir.
Nesses meus pouco menos de cinco anos de caminhada materna, em tantas conversas com mães, em tantas rodas de bate-papo, em tantas discussões em listas, encontros, sites, tenho percebido que, para muitas mulheres, esse sentimento de dedicação exclusiva, essa dependência do bebê aleitado exclusivamente é incômoda, angustiante, quase desesperadora. E quando não se sabe lidar com ela, uma mamadeira ao alcance das mãos, que permitirá que outros dêem ao seu bebê o conforto que ele esperava ter de você, pode parecer um enorme alívio.
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Para quem se sente desconfortável com essa entrega tão absoluta e inevitável, passar seis meses estabelecendo uma conexão tão intensa com uma pessoinha tão dependente, permitindo que essa ligação tão inteira se fortaleça, parece algo inacreditável, inaceitável. Uma privação imensa, sem que a gente nem saiba direito de quê.
E aparecem as inseguranças, os questionamentos. Eu vou dar conta? Sem ninguém pra me ajudar? Como posso fazer isso sozinha? E se eu não conseguir?
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É nessa hora que muitas e muitas mulheres não pagam para ver a resposta para essas perguntas. Não se permitem ir adiante e descobrir a própria força, reinventar os próprios limites. Perdem a oportunidade de descobrir que podiam muito mais do que jamais ousaram imaginar.
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Pra mim, amamentar nunca foi privação de nada. Nunca foi peso, sacrifício. Pelo contrário. Sempre foi delícia, prazer, alegria. Sempre me colocou um sorriso no rosto. Sempre, mesmo nas dificuldades – que com as primeiras filhas, não foram poucas. Sempre, porque a cada dia com aquelas boquinhas grudadas no meu peito, eu sabia que ganhava de presente uma nova oportunidade de me reinventar. De renascer. De me entregar ao maior amor que se pode sentir.
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Sim, depende só da gente. E o peso da responsabilidade pode ser grande. Imenso. No fundo, depende só de como a gente encara. Porque não tem ninguém a quem a gente possa pedir ajuda na hora do aperto. Mas isso pode ser muito, muito bom. Uma oportunidade de crescer, amadurecer, melhorar.
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Eu, com bebezinho pequeno em casa – e por pequeno não estou dizendo só até seis meses, porque essa entrega tão inteira não acaba com o fim do aleitamento exclusivo - , aceito sem sofrimento a idéia de que não sou prioridade. Por algum tempo, não vou sair sozinha, nem com o maridão, sem filhote a tiracolo. Não vou nem à padaria da esquina sem carregar a cria comigo. 
São meses e meses de dedicação integral, mesmo. Sem sofrimento, sem angústia. Uma entrega natural, tão fluida e instintiva quando o meu amor de mãe. Meses e meses em que estou sempre carregando aquele pesinho nos ombros, sempre atenta ao primeiro sinal de fome ou vontade de aconchego, sempre pensando se a blusa que coloco permite colocar o peito de fora com facilidade, sempre pronta para parar tudo e pendurar a bebê no peito, seja onde for. Sem distinção de hora, sem escolher o lugar.
E mesmo correndo o risco de parecer levemente insana, vou confessar: hoje, com a Chiara fissuradona no peito, como é muito justo que ela seja, do alto de seus dois meses de vida, já sinto saudades, porque sei que vai passar rápido demais. Antes que eu perceba, ela estará dando seus passinhos independentes, ganhando mundo, como suas irmãs fazem hoje, depois de terem desmamado naturalmente, sem sofrimento, sem pressão, apenas porque era chegada a hora.
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Então, eu aproveito enquanto posso. Ter ela penduradinha comigo. Ser tudo que ela precisa na hora que aperta a fome, a insegurança, a angústia, a solidão.
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E aproveito assim, do único jeito que sei. Curtindo cada minutinho. Entregue, inteira. E com um amor imenso no coração.
por: Kalu
por: Kathy

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por: Kalu