
por: Tata

Hoje é meu aniversário. Pois é, hoje completo 31 aninhos muito bem-vividos (e vou precisar atualizar minha apresentação aí do lado, hehe). E enquanto minhas três filhotas dormem tranquilas um sono gostoso, a mais nova porque essa é a rotina dela mesmo, e as mais velhas porque precisam de energia pra comemorar o aniversário da mamãe logo mais, em uma surpresa preparada pelo papai, eu fico aqui pensando.
É inevitável ficar caraminholando nessas datas tão emblemáticas: nossos aniversários, aniversários dos filhotes, viradas de ano... são datas que vão marcando a nossa vida, e quando elas vão chegando, a gente acaba se pondo a pensar em como o tempo passa, no que estamos fazendo da nossa vida, em tudo o que se ganhou e perdeu ao longo dos anos, no que a gente aprendeu e melhorou com o que já viveu, no tanto imenso que ainda há para ser vivido.
E eu fiquei aqui pensando em como duas linhazinhas cor-de-rosa em um exame barato de farmácia, há exatos cinco anos atrás, transformaram minha vida. Em como os últimos cinco anos têm sido intensos, deliciosos, revolucionários.
Ser mãe mudou absolutamente tudo na minha vida. Eu costumo brincar - com um baita fundo de verdade - que divido minha vida em A.M. e D.M.: antes da maternidade e depois da maternidade. Porque é fato: a Renata que existia há pouco mais de cinco anos deixou de ser há muito tempo. Saiu de cena para dar lugar a uma outra mulher. Uma mulher que ama com muito mais intensidade, que faz suas escolhas com muito mais segurança. Uma mulher muito mais consciente, muito mais corajosa, mais decidida.
Não que eu tenha deixado de ser a menina assustada de pés no chão que sempre fui, a vida inteira. Essa, acho que viverá em mim para sempre. Mas ao longo dos últimos anos, ganhei de presente, com a chegada das minhas filhas, a melhor oportunidade do mundo: a oportunidade de me tornar o que sempre desejei ser.
Eu sempre quis encontrar um caminho que falasse verdadeiramente ao meu coração, algo que acordasse em mim uma paixão infinita, que me despertasse borboletas no estômago, que fosse tão instintivo, tão visceral, que me deixasse à flor da pele diante da vida, absolutamente entregue. Inteira, disponível.
Esse caminho, pra mim, foi a maternidade. Ser mãe me fez descobrir quem eu sou de verdade, me fez olhar para dentro. A maternidade despertou em mim o melhor que havia, e que eu ainda não me arriscara a deixar que existisse em liberdade. E com as minhas filhas, eu soltei os laços e deixei que essa Renata tão livre, tão inteira, tão plena de cores e amores e dores e sentires batesse suas asas e voasse tão longe quanto eu jamais imaginei que pudesse.
E se foi assim, foi por elas. Porque desde nosso primeiro minuto juntas, eu senti que não poderia dar a elas nada menos do que o meu melhor. Para elas, nada poderia ser pela metade, desbotado, cinzento. Não. Elas mereciam tudo o que de mais infinito e colorido eu tinha para dar.
Eu não estou dizendo que nada mais na minha vida faça sentido, a não ser a maternidade. Não. Eu tenho um companheiro fantástico que amo intensamente mais e mais a cada tropeço, e que me dá um lindo presente todos os dias, quando me diz um 'eu te amo' baixinho antes de irmos para a cama. Tenho pessoas que eu amo e que sei que estão do meu lado para toda obra, apesar da distância, do tempo, de tudo. Tenho um trabalho que eu amo fazer, que me dá um prazer imenso e no qual eu coloco o coração na ponta dos dedos.
Sim, eu tenho outras paixões, outros interesses, outras coisas que me põem um sorriso no rosto.
Mas cada dia mais, eu me dou conta de que nasci para ser mãe. É como na linda letra de Isadora Canto: "é como se eu tivesse esperado toda vida pra te embalar...".
É exatamente assim que me sinto. Como se meus braços tivessem estado sempre prontos, estendidos, para que neles elas se aninhassem.
E todos os dias eu agradeço, mas especialmente em dias como esse. Afinal, aniversários são momentos pra gente parar tudo por um instante e reavaliar, não é mesmo?
Então, aproveito o dia de hoje para agradecer. Obrigada, minhas meninas. Obrigada por terem vindo ao mundo por minhas mãos, obrigada por me permitirem acalentá-las, acolhê-las, compreendê-las, e compreender-me melhor, quando me vejo pelos olhos de vocês.
Obrigada por me fazerem mais e melhor, a cada dia.
Se esses 31 anos não me pesam nem um tantinho, é graças a vocês, que a cada dia me ensinam a ver novamente a vida com olhos de criança. Com o peito cheio de esperança e amor transbordante na ponta dos dedos.
Imagem: arquivo pessoal (Ana Luz, Chiara e Estrela, três lindos presentes que a vida me deu)

















