por: Tata
Já viram aqueles adesivos para colar no vidro do carro, com um duendezinho simpático num canto, e ao lado a frase: "eu acredito em duendes"? Tem também as variantes, "eu acredito em fadas", "eu acredito em bruxas", e por aí vai. Pois bem. Ando pensando seriamente em mandar fazer um adesivo semelhante, com os dizeres em letras garrafais: "eu acredito em desmame natural!!".
Brincadeiras à parte, o tema é complexo e polêmico, e deixa muitas mães-mamíferas e adeptas da amamentação de cabelo em pé, cheias de questões, dúvidas e angústias. Não é pra menos. Em geral, o desconhecimento das pessoas sobre o tema é de dar dó. Quando você diz, em resposta à fatídica pergunta "vai mamar até quando???", que pretende que seu filhote desmame naturalmente, não é raro virem como resposta sorrisinhos irônicos e frases desencorajadoras, como "pode esperar, que por ele ele vai mamar até a adolescência", ou "você diz isso agora, logo você cansa e vai ficar doidinha tentando tirar o peito, porque quanto mais espera, mais difícil é".
Eu, que amamentei minhas primogênitas por 3 anos e meio, perdi a conta de quantas e quantas vezes ouvi bobagens como essas. Bem, o fato é que eu acredito em desmame natural porque aconteceu comigo. Pra esclarecer, é bom deixar claro o que eu considero "demamar naturalmente". Pra mim, desmame natural é aquele que acontece sem sofrimento, para nenhuma das partes envolvidas. Aquele que acontece de forma suave, seguindo a voz do coração, e da natureza.
Minhas filhotas pararam de mamar há uns três meses. Foi tudo muito gradual, e foi acontecendo de acordo com os sinais dados por elas mesmas. Desde os dois anos e meio, mais ou menos, que elas foram por si mesmas, sem que nada tenha sido imposto, diminuindo o ritmo, pedindo menos pra mamar. Se não pediam, eu também não oferecia. Se pediam, eu dava. Poucas vezes aconteceu de elas quererem mamar e eu não querer dar, por estar cansada, ou ocupada com alguma coisa que não desse pra interromper na hora. Nessas ocasiões, um tantinho de conversa sempre resolveu a questão sem choro, sem crises, sem sofrimento.
Há uns seis meses atrás, elas mamavam uma única vez ao dia, antes de dormir. Aos poucos, foram deixando de lado essa mamada também. Passavam várias noites sem pedir, e uma bela noite, pediam, eu dava, e tudo bem. Até que um dia simplesmente deixaram de pedir. Sinceramente, eu acredito que elas nem tenham se dado conta de que "o mamá acabou". Foi assim, natural e instintivo, da mesma forma que um belo dia o bebê que antes só sabia engatinhar se levanta, equilibra-se sobre dois pés e dá seus primeiros passinhos. Assim, naturalmente, suavemente, com tranquilidade, carinho e respeito.
Pra mim, se elas se sentiram seguras para dar mais esse passo, para subir mais esse degrau, para crescer mais esse tantinho que as afasta das bebês que foram e as aproxima das menininhas que cada vez mais revelam ser, foi porque nada lhes foi forçado, elas não foram obrigadas a encarar as coisas antes do tempo. Paradoxalmente, eu acredito que quanto mais a gente força as crianças a serem independentes, mais inseguras e dependentes elas se tornam. Por outro lado, quando a gente permite a dependência a seu tempo, quando respeita o ritmo da criança e deixa que ela diga quando está pronta para ir em frente, seja no que for, ela se fortalece, cresce e segue adiante. Sem sofrimento, com um sorriso no rosto e brilho nos olhos.
Portanto, se você deseja um desmame natural para o seu filhote, aqui vai um conselho: feche os ouvidos aos comentários intrometidos, capriche na cara de paisagem, concentre-se na relação de vocês. Se você está contente em amamentar, e se seu pequeno está contente em mamar, isso é tudo o que importa. Na hora de vocês, naturalmente, as coisas caminharão, e aí virão novas fases, novas descobertas e novas delícias, igualmente intensas e engrandecedoras.
Por enquanto, deixe seu bebê - ou seu "não tão bebê assim" - pendurar-se satisfeito no seu peito, curta o momento e seja feliz. No meio disso tudo, uma coisa é certa: nossos filhotes crescem muito rápido, e é preciso, mais do que tudo, curtir, curtir e curtir. De cabeça leve e coração aberto.
Imagem: www.sindromedeestocolmo.com










