por: Kalu
Aos 27 anos ela recebeu o diagnóstico de que perderia o útero. Seu sonho era ser mãe. Congelou seus óvulos. Casou-se e logo sentiu aquele conhecido desejo de ser mãe. A cunhada ofereceu o ventre. Óvulos fecundados com o esperma do marido e depositado na barriga da tia que se ofereceu de barriga de aluguel. O bebê nasceu prematuro e desde o início foi maternado pela dona do óvulo.
Eu conheço esta família de perto e essa história é verdadeira. Eu não consigo me imaginar em nenhum dos dois papéis. Nem aquela que oferece o ventre e aceita ser tia, muito menos daquela que gastou uma pequena fortuna para ter um filho geneticamente seu.
Acredito que todas as doenças que manifestamos no nosso corpo são uma benção. Elas nos colocam no eixo, nos fazem mergulhar e saltar para novas esferas de consciência. Se eu não tivcesse sido internada com uma dor de garganta, nunca teria conhecido a homeopatia. Se eu não tivesse quase perdido os olhos, jamais conheceria o reiki. Por isso se algum dia tivesse que sacrificar meu ventre para viver, eu buscaria respostas profundas e viveria feliz minha vida buscando outras formas de ser mãe.
Não estou aqui julgando ninguém. Apenas dividindo o que penso sobre o assunto dentro do meu repertório cultural e espiritual. Acredito também que cada doença tem uma razão psicológica para ser. Enquato esse impulso eletromagnético não for trabalhado, a doença se manifestará muitas e muitas vezes no corpo físico. Cada dia vejo mais e mais mulheres com problemas ginecológicos: ovários policisticos, TPM, variações nos ciclos femininos, entre outros problemas mais graves. E muitas e muitas entregando o corpo para uma fecundação artificial. Não posdemos esquecer que há uma indútria se beneficiando da crença de que somos imperfeitos a oferecer a falsa perfeição.
Ao meu ver estas mulheres, sejam pelo uso de pílulas ou posturas pessoais, estão, na verdade, afastadas da natureza do feminino, desconectadas dos ciclos lunares, das estações do ano, da natureza interior e exterior, da sexualidade, de um sentido espiritual para a vida. Mulheres que não tem tempo de fazer xixi (e ganham de brinde inecções urinárias), nem param por minutos suas vidas para fazer coco. Se estão tão distantes dos processos metabólicos e orgânicos é elementar que tenham dificuldades em abrigar uma vida no ventre, gestar, parir e amamentar.
Eu tenho medo da tecnologia que escolhe óvulos saudáveis e implanta no útero de uma mulher. Eu tenho medo porque quando a tecnologia vence a natureza, acontece o desequilíbrio. O homem tem um desejo pela perfeição. Quando um grande número de mulheres se submetem a este tipo de intervenção, começo a pensar que o homem, aquele que já criou a salvação alienante da cesárea, em breve, vai querer escolher óvulos saudáveis para gerar uma vida perfeita. vejo se aproximar o dia que crianças só poderão ser feitas em laboratório, com a seleção de óvulos perfeitos, para uma humanidade perfeita. E será tão caro que o dinheiro será um diferencial daqueles que poderão perpetuar a espécie.
Há um outro ponto nesta indústria da fertilização que me aterroriza: quando a maternidade se torna um negócio, um filho passa a ser um objeto. Pode até ser um objeto de amor, depósito de sonhos e expectativas. Mas quando perdemos a capacidade de ver a dança da vida, com seus rodopios perfeitos e tropeços necessários, tudo passa a ser uma mercadoria.
Para mim, ser mãe é algo espiritual. Por isso eu sempre digo que eu nunca quis ter um filho. Ele veio até mim, mudou minha vida, colocou meu mundo de pernas para o ar, numa perfeição não planejada mas que me trouxe tantas cosias boas que nem posso mensurar. Assim como nunca quis casar, apenas reconheci meu companheiro e vivo junto com ele.
Tenho absoluta certeza de que se algum dia, quisesse engravidar e não conseguisse, buscaria as respostas para isso dentro de mim. Iria resgatar esse feminbino adormecido, trabalha-lo com coragem. E se ainda sim meu corpo não pudesse gestar, parir, amamentar, eu adotaria uma criança. Me abriria para a possibilidade de receber uma alma para orientar.
Ser mãe não se resume a gestar, a via de parto escolhida, a amamnetação. Ser mãe é antes de tudo a nossa capacidade de caminhar ao lado de outra alma, orientando-a neste louco mundo com a força de nosso coração. E não ter um filho, sustentá-lo com recursos finaceiros " dando do bom e do melhor".
Certeza eu tenho que nunca seria barriga de aluguel de outrém, porque sou romântica demais. Acho que um filho é uma alma que chama e dança por perto antes de chegar. E aproveita aguele momento de amor sagrado e se instala no ventre com a força do semên masculino a despejar energia para que o óvulo satisfeito seja fecundado com o poder do feminino. E desta união sagrada, mística e plena, se faz a vida. Vida que cresce no ventre, nasce por onde entrou, mama nos seios, cresce ao lado de quem gestou. Esta mulher que emprestou o ventre foi de um altruísmo imensurável. Mas, que nunca conseguiria fazer, nem para uma filha minha. Não pela minha incapacidade de desapegar, mas pela minha crença naquilo que é natural.
Há muitas formas igualmente naturais de maternar. Pois ser mãe não é o mesmo que ter um filho. Eu sou romântica demais e assim continuarei a ser, lutando todos os dias para mostrar que devemos Ser ao invés de Ter.
Olá!
Mudamos de endereço.
Você pode nos encontrar em www.blogmamiferas.com.br a partir de agora.







