
por: Nanda
A primeira vez que levei Benjamin para um local agitado foi aos três meses, quando íamos viajar e ele não tinha roupas quentes o suficiente para o clima do local para onde íamos. Levei-o ao shopping. Não sei se porque eu fiquei tão ansiosa com a perspectiva de levá-lo a um local com ar-condicionado viciado, mil estímulos sonoros e visuais, além da aura consumista que é inerente a um shopping, ou se realmente é um local impossível de ser agradável para um bebê, o passeio foi um desastre. Benjamin ficou irritado, chorou, não ficava dentro do sling, não queria peito e não conseguia dormir, todos que nos acompanhavam saíram num extremo mau-humor.
Talvez por ter tido um primeiro passeio tão desastroso, eu coloquei na minha cabeça que Benjamin não gosta muito de sair de casa, ao menos não para locais como supermercados e shopping. E talvez por eu já levá-lo a esses locais com essa mentalidade, ele realmente não goste e nunca dá nada certo. Eu sempre morri de inveja das mães que conseguem levar seus bebês para todos os locais e mantê-los calmos.
Acontece que não só para supermercados e shoppings, eu acredito que alguns lugares simplesmente não foram feitos para bebês. Ontem, por exemplo, vi mães com bebês mais novos até que Benjamin levando-os para as prévias carnavalescas que ocorriam na cidade, os pequenos adormecidos nos ombros das mulheres que conversavam animadas esperavando o ônibus lotado. À noite, fui a um casamento e lá, novamente, bebês da idade de Benjamin chorando de calor e cansaço devido às roupas engomadas e o tardio da hora.
Eu compreendo que a vida social com um bebê é difícil, mas não deve ser inexistente. E compreendo também que nem todo mundo pode pagar alguém para passar a noite com o filho para ir a um casamento, mas acho que junto com a maternidade deve vir a capacidade de fazer escolhas que beneficiem sobretudo o bebê. Ontem foi a primeira vez depois de 10 meses que eu saí à noite e fiquei até depois da meia-noite fora de casa, com o coração na mão de ansiedade por saber que Benjamin só dorme comigo, esperando que ele não acordasse.
Se eu não tivesse uma pessoa de confiança, se não houvesse a alternativa de deixá-lo com alguém em casa, jamais teria ido ao casamento. Assim como não irei a nenhuma comemoração de carnaval por não achar justo sair e deixar meu filho aos cuidados de outros, e muito menos justo levá-lo a algo tão violentamente estimulante como um bloco carnavalesco. Mas essa é a minha escolha, de me doar inteiramente e abrir mão de mim enquanto for necessário. Talvez eu seja um pouco extrema, mas ainda não consegui achar o meio-termo que separa a mulher da mãe. E vocês, como lidam com isso?
Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEieF_lXhZiPtpbeCIWPojophjistoGcwoc6ZQUUL1UTnRLt2O3mlfyCzf2sMpES8KtEzkXmpAgAWn5d0eCTMYcn8v0XzM-q3NEZ2YTTt0FL3j63YgVT93v6g_QDwz_c0GGlJrspy_fJQIw/s320/sling.bmp




