por: Kathy
Samuel completou 4 anos no último dia 25 de maio. Quatro anos de vida e quatro anos de amamentação. Assustou? Por que? Acha estranho uma criança de quatro anos que ainda mama no peito? E se eu dissesse que ele toma mamadeira, você acharia estranho também ou um pouco menos estranho? Qual é a sua referência do que é normal e saudável, do que é aceitável e o que é exagerado?
A minha referência é o que funciona pra mim. Continuo firme e forte rebatendo o argumento mais forte de todos, o Mito número um: "amamentar por muito tempo deixa a criança dependente da mãe, insegura" Eita, que alguém que faça uma afirmação dessas não deve conhecer o meu filhote! Ele é uma criança absolutamente tranquila e segura, tem lá seus medos e seus receios normais, mas nada diferente de qualquer outra criança da idade dele. Não chora sentindo minha falta quando está na escola ou com familiares, não estranha as pessoas, confia em mim e sabe que estarei por perto quando necessário, e sabe também que, quando estou longe, é algo temporário. Concluindo: sem problema algum com insegurança por aqui!
Segundo mito, vamos lá: "é um apego mais da mãe, que 'não quer deixar a criança crescer', do que da própria criança." Nunca forcei um desmame, e nem pretendo, assim como ele até hoje nunca manifestou intenção de parar de mamar no peito. Amamentar, principalmente nessa demanda que o Samuel tem hoje em dia - uma vez ao dia, antes de dormir - não me incomoda, pelo contrário, acho gostoso e tranquilo, não me atrapalha em absolutamente nada e por isso não tenho a menor vontade de parar. Para ele, é um momento de aconchego e carinho, um tempo que continua sendo só nosso. Não vou obrigá-lo a largar uma coisa que é tranquila tanto pra mim quanto pra ele, só porque o mundo não acha o mais "correto". Não acho que seja questão de apego nem da minha parte, nem da parte dele. Vamos no nosso tempo, tenho certeza que ele será o primeiro a me dizer que não quer mais quando chegar o momento certo de parar de mamar e eu certamente respeitarei a vontade dele.
Terceiro mito: "o leite materno não tem tanto valor nutricional para crianças maiores de 2 anos." Vixe, que nada! Tremenda bobagem! Isso não sou eu quem está falando não, tá? Inúmeras pesquisas comprovam que o leite materno continua sendo um fonte importante de proteina, gordura, cálcio e vitaminas, mesmo após os dois anos de vida da criança. E tem mais: crianças amamentadas tendem a adoecer muito menos já que o leite materno aumenta a imunidade dos pequenos que de lambuja ainda sofrem muito menos com alergias. Teoria comprovadíssima lá em casa: meu pequenino, graças aos céus e aos peitões, tem uma saúde ótima!
Quarto mito: "amamentar faz a criança se desinteressar por outros alimentos." Rá! Mais uma teoria feita por alguém que certamente não conhece meu Samuelzinho, que come muito bem, e sem "frescuras". Não troca peito por comida, não! Cada um na sua hora, claro, mas sem prejudicar nem uma coisa nem a outra.
Quinto mito: "amamentação prolongada incentiva na criança uma sexualidade precoce". Hahaha, só posso rir, né? Primeiro, algo que repetimos sempre por aqui: a maldade e a erotização está no olhar do adulto, não no da criança. Em segundo lugar, somos animais mamíferos, sou uma mamífera humana e por isso naturalmente meus seios tem uma função específica: amamentação da cria. Culturalmente - e digo isso porque o seio certamente não é considerado erótico e ligado à sexualidade em todas as culturas do mundo - os seios também tem um importante papel na estimulação sexual, mas isso em um contexto e em uma conotação completamente diferente da amamentação e certamente é algo que passa muito longe do pensamento do meu pequeno e, obviamente, do meu também, quando estou amamentando.
Sexto mito: "meninos que são amamentados por muito tempo ficam 'obcecados' por seios." Discordo, primeiro pelo preconceito de gênero que já revela que é uma teoria baseada na maldade do olhar adulto. Por que só meninos ficariam obcecados? Por que não aconteceria também com meninas? Mais uma vez uma questão cultural: a nudez que não é tratada com a naturalidade devida, mas sempre inserida num contexto erótico, que é a base também do preconceito que muitas mulheres sofrem ao expor os seios para amamentar seus bebês, sendo convidadas a se retirarem de lugares públicos ou tachadas de exibicionistas e outras bobagens do gênero. Não acho que as crianças - tanto meninos quanto meninas - se tornem obcecados pelo seio, mas sim que relacionem o seio com o prazer (não erótico, é claro) da amamentação, da saciedade, e portanto busquem sim o peito da mãe por curtirem esse momento de aconchego e carinho. Não aconteceu aqui em casa, mas acho perfeitamente normal e, com crianças maiores é possível conversar sobre os momentos mais adequados de "buscar" o seio da mamãe sem, por exemplo, deixá-la nua no meio da rua quando ela não está preparada pra isso.
Sétimo mito: essa é mais uma dúvida mesmo, já estou acostumada a responder: "Mas afinal, depois de tanto tempo, você ainda tem leite?" Geralmente, dependendo do meu humor no momento e da pessoa que pergunta, eu respondo: "Tenho sim, quer ver?", que pode soar tanto como uma gracinha quanto como uma patada, dependendo da entonação, claro. Mas a resposta "correta" seria que tenho sim, já que o que estimula a produção de leite é o fato da criança/bebê sugar o seio. Essa sucção estimula a liberação de um hormônio chamado prolactina, que faz com que o leite seja produzido, e de outro hormônio bastante nosso conhecido, a ocitocina, que também auxilia da produção e liberação do leite. Tudo isso acontece em questão de segundos, claro. Uma verdadeira "mágica" da natureza. Eu não tenho leite vazando do peito como em geral acontece com uma "ocitocinada" mãe de recém nascido. É que depois de tantos anos o meu corpo foi se ajustando gradualmente à demanda do Samuel - cada vez menor. Mas nunca faltou leite, não, já que ele é produzido na hora em que é solicitado. Perfeitinho, né? Também acho.
Oitavo mito: "Amamentar por muito tempo deixa o peito caído". Essa é uma questão bem particular porque depende muito do tipo de corpo, da musculatura da pessoa, da pele, de como o peito era antes da amamentação. A minha resposta pra essa questão é praticamente a mesma acima: "Quer ver?" rsrs, que pode ser ao mesmo tempo recebido de forma engraçada como uma patada. Outra coisa que costumo dizer assim meio que de brincadeira é que não tenho recebido reclamações nesse sentido - falar com o senhor namorado para mais detalhes :). O resumo é que na MINHA experiência não ficaram caídos, não. Na gravidez e começo da amamentação o que aconteceu é que meus seios ficaram grandes e lindos - confesso que adorei - depois voltaram ao tamanho normal - sempre tive seios pequenos - sem grandes diferenças no antes e depois (o formato do bico mudou, mas achei que ficou mais bonito, na verdade). Não tenho o mesmo peito de quando tinha 20 aninhos, mas pesa mais aí o fator idade do que a amamentação, podem ter certeza. Pode até ser que tive sorte, vocês vão dizer, mas essa é a minha experiência. Quatro anos depois e nada de peito caído, somente mais um mito derrubado! To me sentindo no Mythbusters, ahahaha
Nono mito: não é bem um mito, são aquelas explicações de sempre: "Ah, acho lindo sua história, mas comigo não deu certo porque eu não tive leite suficiente/meu leite secou/tive que voltar a trabalhar/tinha muita dor na hora da amamentação/meu bebê tinha muita fome/acrescente aqui mais explicações do gênero". Ok, isso dava um post, mas vamos lá: o segredo para amamentar é... amamentar! Como lemos na explicação acima sobre como o leite é produzido: quanto mais estimulação/sucção do bebê ou criança, mais leite é produzido. Leite não seca sozinho, mas se você ceder à complementação, a falta de estímulo das glândulas vai sim diminuir gradativamente seu leite. Leite não seca do dia pra noite, é um processo gradual. Resista aos complementos, procure ajuda especializada para as dores e problemas na hora da amamentação. Sugestões aqui, aqui e aqui. Amamentar não pode doer ou causar desconforto, se isso acontece, algo está errado. Insistindo na amamentação seu corpo voltará a produzir leite suficiente para matar a fome do seu bebê. Ah, e não se esqueçam, eu voltei a trabalhar quando o Sam tinha 5 meses, ele ficou exclusivo no peito até 6 meses e eu nunca parei de amamentar. Estocava leite, ia amamentar na escola, e mantive a rotina de amamentação em casa. Quando a gente quer de verdade, a gente dá um jeito!
Oitavo mito: "Amamentar por muito tempo deixa o peito caído". Essa é uma questão bem particular porque depende muito do tipo de corpo, da musculatura da pessoa, da pele, de como o peito era antes da amamentação. A minha resposta pra essa questão é praticamente a mesma acima: "Quer ver?" rsrs, que pode ser ao mesmo tempo recebido de forma engraçada como uma patada. Outra coisa que costumo dizer assim meio que de brincadeira é que não tenho recebido reclamações nesse sentido - falar com o senhor namorado para mais detalhes :). O resumo é que na MINHA experiência não ficaram caídos, não. Na gravidez e começo da amamentação o que aconteceu é que meus seios ficaram grandes e lindos - confesso que adorei - depois voltaram ao tamanho normal - sempre tive seios pequenos - sem grandes diferenças no antes e depois (o formato do bico mudou, mas achei que ficou mais bonito, na verdade). Não tenho o mesmo peito de quando tinha 20 aninhos, mas pesa mais aí o fator idade do que a amamentação, podem ter certeza. Pode até ser que tive sorte, vocês vão dizer, mas essa é a minha experiência. Quatro anos depois e nada de peito caído, somente mais um mito derrubado! To me sentindo no Mythbusters, ahahaha
Nono mito: não é bem um mito, são aquelas explicações de sempre: "Ah, acho lindo sua história, mas comigo não deu certo porque eu não tive leite suficiente/meu leite secou/tive que voltar a trabalhar/tinha muita dor na hora da amamentação/meu bebê tinha muita fome/acrescente aqui mais explicações do gênero". Ok, isso dava um post, mas vamos lá: o segredo para amamentar é... amamentar! Como lemos na explicação acima sobre como o leite é produzido: quanto mais estimulação/sucção do bebê ou criança, mais leite é produzido. Leite não seca sozinho, mas se você ceder à complementação, a falta de estímulo das glândulas vai sim diminuir gradativamente seu leite. Leite não seca do dia pra noite, é um processo gradual. Resista aos complementos, procure ajuda especializada para as dores e problemas na hora da amamentação. Sugestões aqui, aqui e aqui. Amamentar não pode doer ou causar desconforto, se isso acontece, algo está errado. Insistindo na amamentação seu corpo voltará a produzir leite suficiente para matar a fome do seu bebê. Ah, e não se esqueçam, eu voltei a trabalhar quando o Sam tinha 5 meses, ele ficou exclusivo no peito até 6 meses e eu nunca parei de amamentar. Estocava leite, ia amamentar na escola, e mantive a rotina de amamentação em casa. Quando a gente quer de verdade, a gente dá um jeito!
Sobre essa experiência de amamentar por tanto tempo e desde sempre em livre demanda, tenho a dizer que foi para mim algo extremamente natural. Samuel mama desde os primeiros minutos de vida. Não tive problemas sérios de amamentação fora uma pequena dificuldade na pega logo quando ele nasceu, mas que foi logo resolvida. Sempre desejei amamentar e me mantive firme nesse desejo, mesmo em épocas mais difíceis como na volta ao trabalho ou quando ele acordava inúmeras vezes durante a noite. Em alguns momentos de cansaço pensei sim em parar, mas logo voltei atrás e segui o que sempre considerei o certo pra meu filho e pra mim, coisa que continuo fazendo até hoje na maior alegria, confesso.
Bom, acho que consegui responder as questões mais comuns relacionadas à amamentação prolongada, mas se faltou alguma coisa é só escrever aí nos comentários que vou procurar responder com o maior carinho. Se eu não souber, certamente procurarei alguém que saiba. E quem amamenta criança maior de 2 anos, me faça um grande favor, deixe aí um comentário com o nome e idade da criança, pra gente ter uma idéia de quantas somos, e tenho certeza que somos várias. Tá combinado?





