Uma dúvida que vejo atormentar muitas grávidas, especialmente as que já se encontram na reta final da gestação, é a questão: mudo ou não mudo de médico?
Muitas vezes, a gente chega no consultório de um obstetra para fazer o pré-natal não porque sabe que ele compartilha das nossas crenças em relação à gravidez e ao parto, mas porque ele foi muito bem indicado, porque atende o nosso convênio, porque é o médico da família toda, porque fez o parto da vizinha, porque a sala de espera vive cheia, enfim. Os caminhos são muitos.
Aí a gente vai levando, e pouco a pouco, ao longo da gestação, vai se dando conta de que aquele médico não tem exatamente o tipo de postura que gostaríamos que tivesse. São muitos detalhes. Pode ser que ele desvie o assunto quando você pergunta sobre o parto, ou que te dê orientações que destoam do que você acredita que será o melhor pra você. Pode ser que ele não respeite a sua autonomia de mãe, agindo com arrogância e com aquele discurso "eu sou o médico, eu estudei e eu sei mais do que você!". Pode ser ainda que ele faça um terrorismo desnecessário com questões que você sabe que não eram pra tanto, como um ganho de peso maior do que o esperado - mas dentro de um limite saudável - , uma circular de cordão no ultrassom, um bebê com baixo peso ou peso alto demais, uma posição 'desfavorável' do bebê na barriga.
O fato é que aos pouquinhos, o profissional vai te dando "dicas" se está ou não afinado com o que você deseja para a sua gestação e, especialmente, para o seu parto. E aí, num determinado ponto, você se dá conta: não é isso o que eu quero! E aí, o que fazer?
Quando essa constatação se dá no começo da gestação, é mais fácil. A gente ainda tem semanas e semanas pela frente pra buscar outras opções, pra criar um vínculo com outro profissional, pra fazer para o novo médico todas as perguntas necessárias. Mas e quando é já na reta final da gestação que a gente descobre que o profissional que nos acompanha não é o que gostaríamos que fosse? E aí, mudar ou não mudar?
Eu não tenho dúvidas do que faria nessa situação. Mudar, sim, lógico! Se eu sei que esse profissional não vai me ajudar a ter o parto que desejo, vou atrás de outro que o faça, sem sombra de dúvida.
Não estou dizendo que seja fácil. A insegurança de começar do zero já num momento tão avançado da gravidez, o falatório que em geral nos cerca quando tomamos uma decisão como essa, a dificuldade de encontrar afinal o profissional ideal, de acordo com o que desejamos, tudo isso pode ser bem complicado de se lidar. Mas se vai te ajudar a viver o parto que você sonha, não tenha dúvidas: vai valer a pena.
É preciso uma dose imensa de coragem pra botar o pé na estrada e ir atrás de um novo profissional na reta final da gravidez. Mas se você tiver essa coragem, a recompensa virá depressa: você terá a certeza de ter feito tudo o que podia para conquistar o parto sonhado, para dar ao seu filhote o nascimento respeitoso e especial que você gostaria que ele tivesse.
Ficar com o médico amigo, bonzinho, sorridente e simpático, mas que não esclarece as tuas dúvidas, não respeita os teus desejos e vai te fazer uma cesárea desnecessária com um belo sorriso no rosto e passando a mão na tua cabeça, não vai adiantar muito. Melhor correr atrás de estabelecer um vínculo bacana com outro cuidador, mesmo que na última hora. É possível, mas tem que correr atrás.
E aí, mesmo que o parto não seja 100% do jeito que você sonhou, não haverá motivos para arrependimento. Porque você terá feito tudo o que estava ao seu alcance, terá dado o melhor de si.
E afinal de contas, é disso que se trata a vida: não precisa ser tudo 100% perfeito. A gente só precisa fazer o nosso melhor.
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