PS: Sim, Cacauzinha, esse texto foi inspirado em você! :o)
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Kalu
Tata
Sou Danielle Kioshima Romais, mas todo mundo me conhece como Dani, Dani Sapoo, Daninha, Japinha e outros apelidos carinhosos que adquiri ao longo da vida. Sou casada há 14 anos com o Jeff Romais. Tenho 32 anos e sou a mãe do Kiyo, menino de 3 anos, feliz, esperto e saudável. Sou bióloga por formação e apaixonada pelas questões ambientais, principalmente no que tange a conservação ambiental. Atualmente estou cursando o mestrado em Ciências Ambientais na Florida Atlantic University nos EUA, mas meu coração ainda vive em Curitiba, minha terrinha. Desde que o Kiyo chegou em minha vida, vou aprendendo novas formas de lidar com o mundo incrível da maternidade. A maternidade me transformou. Aprendi muito durante esses 3 primeiros anos, mas tenho certeza que preciso aprender muito mais. Clique aqui para conhecer nossa família e aqui para ler meu texto dessa semana no Mamíferas.

por: Kalu

por: Tata
Quando escrevi meu último texto, falando da importância da gente pensar positivo, confiar que as coisas vão caminhar da melhor forma, canalizar as energias, fiquei pensando no outro lado da moeda. E quando, mesmo pensando positivo, mesmo evitando se deixar contaminar pela negatividade, mesmo confiando no processo, alguma coisa sai diferente do que a gente esperava?
O senso comum, em uma sociedade como a nossa, que evita a dor a qualquer custo, e é especialista em varrer dificuldades para baixo do tapete, diria que o melhor é deixar pra lá e seguir em frente, afinal, “você fez tudo o que podia, pra quê sofrer se não conseguiu?”.
Eu discordo. Acho que a vida não é assim, e a gente não vem ao mundo com um botão de ‘ligar’ e ‘desligar’ os sentimentos. Se fosse assim, seria bem fácil. Mas não é.
Quando a gente sonha o parto de um jeito, a amamentação, ou seja o que for, e não consegue, é natural sentir-se frustrado. E quando a gente empurra essa frustração, essa dor pelo sonho que se perdeu, pra baixo do tapete, está perdendo uma imensa oportunidade de aprender com o tropeço, crescer, amadurecer, e ganhar forças para fazer adiante, numa próxima oportunidade.
Um sonho que a gente alimenta, acalenta, e na hora H não consegue viver, pelo menos não por inteiro, é uma perda significativa, um luto legítimo. E a gente tem que se dar o tempo de digerir, elaborar e superar a dor dessa perda, sem atropelar o processo, sem querer pular etapas.
Quando o inesperado acontece, quando a dor bate à porta, não adianta virar o rosto e fazer de conta que não é com a gente. Não funciona assim. A única saída pra enfrentar uma situação dolorida é encarar de frente, deixar que a dor aconteça, não negar, não tentar escapulir. Permitir que a dor ensine o que tiver que ensinar. Porque ela ensina, e como ensina.
Eu acredito mesmo que a frustração movimenta uma energia poderosíssima no ser humano, uma força revolucionária que o faz se transformar, amadurecer e encontrar dentro de si o caminho para fazer diferente, em uma próxima oportunidade. Quando a gente se esconde da frustração, repetindo para si mesmo e para o mundo, "tudo bem, eu nem queria tanto assim!", feito a raposa que desdenha das uvas que não conseguiu alcançar, perde uma oportunidade imensa de transformar a dor em trampolim para a mudança. Aproveitar as pedras para construir um castelo, como diz a sabedoria popular.
Eu vivi algo assim, com a amamentação. Com as minhas filhas mais velhas, eu tive uma série de dificuldades, no começo. Foi um custo manter a amamentação exclusiva de gêmeas, uma luta. E quantas e quantas vezes escutei comentários (bem-intencionados, sei disso, mas não por isso menos inoportunos) do tipo: "você já fez tudo o que podia, não se cobre, faça o que é possível!". Mas a frustração imensa que eu sentia, a dor insuportável que me provocava a simples idéia de não amamentar minhas pequenas como eu tanto tinha sonhado, não me deixaram desistir. Deram-me forças para seguir adiante, persistir, superar as dificuldades. Se eu tivesse me permitido deixar a dor pra lá, afinal eu "fiz o possível", teria perdido uma bela oportunidade de descobrir a força que eu nem sabia que tinha.
E o mesmo com o parto. Se eu não tivesse me permitido mergulhar na dor pelo parto sonhado e não vivido no nascimento das minhas filhotas mais velhas, não teria crescido, aprendido e me tornado alguém que pôde viver um segundo parto diferente, redentor.
A frustração, o vazio de não conseguir algo que a gente sonhou e desejou muito vem pra trazer a medida da importância das coisas. E se a gente perdeu algo que era importante, tem mais é que chorar mesmo, deixar que a dor aconteça, viver a perda. É só assim que a gente pode superar de verdade, e seguir em frente de coração renovado.
Já dizia Adélia Prado, linda e sábia:
"Dor não tem nada a ver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade."
* trecho da canção "Eu Só Peço a Deus", só pra continuar nos títulos musicais... ;-)
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por: Kalu